Virada Cultural na periferia e ação na Cracolândia

A SRA. ADRIANA RAMALHO (PSDB) – Boa tarde, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Vereadores, todos que nos assistem pela TV Câmara.

Hoje vou falar sobre alguns pontos que já estão sendo discutidos na gestão do nosso Prefeito João Doria.

Recentemente estávamos aqui falando sobre as questões da Virada Cultural. A iniciativa do nosso Prefeito João Doria merece total atenção e merece o nosso apoio, porque quando falamos de Virada Cultural no centro de São Paulo, estamos falando de valorizar o centro, mas precisamos dar uma margem e uma atenção maior as nossas periferias.

E a iniciativa de levar a Cultura e esse grande evento que acontece uma vez por ano para os extremos da cidade de São Paulo é de suma importância para as pessoas que, muitas vezes, não têm oportunidade de sair da sua região e se deslocar até o centro.

Então, a Virada Cultural tem o objetivo de trazer cada vez mais para perto da população iniciativas que vão agregar e que vão unicamente beneficiar a população. Levar a Cultura para dentro dos bairros, para o coração da periferia.

Dou total apoio ao nosso Prefeito João Doria. E acredito que quanto mais unirmos forças para conseguir direcionar trabalhos como esse, vamos conseguir atender e ouvir aqueles que muitas vezes não têm oportunidade para falar, para se expressar como crianças, jovens e todas as pessoas que moram nos extremos da cidade de São Paulo. Então, para esclarecer as questões em relação ao programa e a iniciativa da Virada Cultural.

Outro assunto que está sendo muito debatido aqui nessa tarde é a questão da operação na Cracolândia, uma iniciativa que já esclareço é feita em conjunto com o Governo Municipal e o Governo Estadual. Sim, o nosso Prefeito João Doria trabalhando em conjunto com o nosso Governador Geraldo Alckmin. Essa iniciativa que a Secretaria de Desenvolvimento Social através do Secretário Floriano Pesaro bem esclareceu que 520 dependentes foram encaminhados voluntariamente para o acolhimento e tratamento, 53 traficantes foram detidos, mais de 20 kg de drogas apreendidas, 37 leitos de observação da Cratod, 21 leitos de observação da Rua Helvétia, 37 vagas de moradia assistida, 700 vagas em comunidades terapêuticas com cuidado de Saúde, 1.233 vagas em comunidades Terapêuticas com cuidado de Assistência Social, 34 vagas em Casas de Passagem, 92 vagas em repúblicas, mais de 80 mil abordagens de rua feitas na região da Cracolândia até hoje, mais de 50 mil acolhimentos em 24h.

A ação foi de inteligência, sem truculência e com uma ampla rede de retaguarda. Não permitiremos que os dependentes sejam sequestrados pelo tráfico. Não deixaremos refugiados urbanos desamparados.

O nobre Secretário Floriano Pesaro tem feito um excelente trabalho com o Governador e com o Prefeito João Doria.

Para dar continuidade ao programa em conjunto e a preocupação que causa deixar de fazer ações na região da Cracolândia, o Secretário compartilhou em suas redes sociais um post da Clarice Sandi, psiquiatra, professora da Unifesp, que contribui com essas ações e que conhece a região porque há muito ela acompanha o trabalho e colabora com esse trabalho.

Ela escreve o seguinte: “Demorei a me manifestar sobre a operação da Cracolândia. Talvez porque tendo frequentado tanto a região nos últimos anos, sei que nada feito ali é tão simples de interpretar. Continuo aqui me questionando, mas quando leio a opinião de que o ocorrido lá foi uma ‘barbárie’ ou ‘atrocidade’, vindo de pessoas que não conhecem de perto aquela realidade, fico aflita, engasgada. Vou ter que escrever textão!

Por muito tempo frequentei a Cracolândia vendo o que acontecia ali com um olhar quase romântico. Sim. Acredite. No início realmente achei que a redução de danos feita ali de fato funcionava e que era um direito daquelas pessoas viverem daquela forma. Achava lindo o respeito que tinham conosco, os profissionais de jaleco branco, que funcionava praticamente como um escudo ali dentro, e principalmente com as crianças, chamadas por eles de anjos. Não sei se foi o momento – troca de lideranças depois das disputas nos presídios no início do ano –, se foi o fato de eu ter aprofundado muito mais minha interação com as pessoas devido à pesquisa que fiz como consultora do PNUD, ou se foi por ter começado a ajudar a ONG Ação Retorno, da pastora Nildes, que cuida das crianças que vivem nessa comunidade… Mas, de repente, a minha visão mudou.

Passei a enxergar o que todos que vão lá pela primeira vez enxergam: condições desumanas, uma barbárie, uma atrocidade, só que diária, rotineira. Vi mulheres e trans serem espancadas até quase a morte sem que a polícia, sempre presente, intervisse. Vi onde as execuções são feitas – o chamado canil dos vivos. Vi mulheres grávidas usando crack e heroína sem que ninguém considerasse o direito do feto – tão considerado no País que proíbe o aborto, vale dizer! –, soube de bebês nascendo nos hotéis e desaparecendo sem que os profissionais dos programas conseguissem entrar para prestar apoio, vi o desespero de mães, esposas, avós e filhos com fotos nas mãos a procura de seus entes queridos lá dentro. E muito, muito mais.

Não vou ainda tecer nenhum comentário sobre a operação em si, pois não vi com meus olhos. Ouvi muitos relatos, completamente divergentes e TODOS enviesados, ou por ideologias dogmáticas ou por interesses pessoais e políticos. As cenas que estão rodando são, sim, chocantes, mas apenas para quem não vê o dia a dia lá dentro. Tenho certeza que se pudessem filmar a realidade diária, a desaprovação pública seria a mesma. Tendo visto outras operações, achei mesmo admirável que não tenha havido mortos (tendo em vista que um dos traficantes presos era um sniper ex-militar, e que os dois corpos encontrados nos hotéis, que a mídia omite, já viraram boatos de que quatro usuários foram mortos) e apenas 1 ferido (machucou na corrida da invasão). Sinceramente, foi estratégico. Já vi mais gente ferida (inclusive das equipes de saúde) em atritos irrelevantes e inúteis lá dentro.

Algo PRECISAVA ser feito ali. Ações sociais, de redução de danos, de saúde eram feitas diariamente por equipes incríveis lá dentro. Nunca nenhuma população vulnerável recebeu tanta atenção. Nenhuma família de retirantes que fica na escada da Sé jamais sonhou em ter disponíveis médicos, enfermeiros, assistentes sociais, banho, comida e roupas como os usuários da Cracolândia tinham. Mas estávamos enxugando gelo. Algo a mais precisava ser feito ali. Tento e não consigo ainda pensar em outra forma de desmantelar aquele cenário que já era, sem dúvida, tão desumano e bárbaro.

Se a operação vai ser efetiva? Só o tempo dirá. E isso vai depender de darem seguimento e oferecerem assistência social, acolhimento e/ou tratamento aos que dali fugiram e se aglomeram em pequenos grupos pulverizados na cidade. Essa ação é vital para que possamos começar a considerar uma solução de fato.

Mas, mesmo que isso não aconteça, que seja o que todos tanto repetem, uma dissipação que só vai levar à relocação da Cracolândia, estou propensa a achar que valeu. Pelo menos esse sistema perverso do PCC desarticulou e enfraqueceu. Pelo menos cerca de 1/3 dos usuários farão um break e, quem sabe, até iniciarão seu processo de reinserção social. Pelo menos aquelas crianças verão que a carreira do PCC é duvidosa e pode ‘dar ruim’ eventualmente, e que um futuro fora de lá é possível.”

São notas como essa, são matérias como essa que nos levam a crer que precisamos, cada vez mais, combater, combater e combater toda iniciativa que contrarie o bem estar do ser humano.

O SR. EDUARDO MATARAZZO SUPLICY (PT) – V.Exa. permite um aparte?

A SRA. ADRIANA RAMALHO (PSDB) – Só um minuto, nobre Vereador Eduardo Suplicy. O texto que li, como eu disse no início, é de Clarice Sandi, foi compartilhado na rede social do nobre Secretário Floriano Pesaro e merece nossa atenção e nossa leitura, porque ela ajudou e vivenciou aquele cotidiano e por muito tempo trabalhou nesse núcleo da região da Luz. Ela, melhor do que ninguém, fez uso coerente das palavras.

Precisamos apoiar o nosso Prefeito João Doria no combate dessa massa. Aquela região virou uma feira de tráfico não só de drogas como de armas. Isso precisa ser sanado, precisa acabar. Só com coragem, como a do nosso Prefeito João Doria, é que vamos ver o início disso.

Está bem claro, através dos programas propostos pelo nosso Prefeito, que a intenção é ajudar essas nobres pessoas, que são vítimas, usuários das drogas. A intenção é resgatá-las para que elas possam ter reinserção social, perspectiva de vida, inserção no mercado de trabalho, voltar para suas famílias. Não adianta criticarmos, o excesso não é cabível; mas nossa atenção e sensibilidade para esse ato e para esse programa precisam, sim, existir.

Nós Vereadores desta Casa precisamos adentrar junto a este programa, sair desta Casa e ir para lá conversar e apoiar essas pessoas que precisam da reinserção.

Nobre Vereador Eduardo Suplicy, tem a palavra.

O SR. PRESIDENTE (Eduardo Tuma – PSDB) – Senador, um minuto. Vou interromper a nobre Vereadora e garantir o 1 minuto que resta de seu pronunciamento, pois o Regimento não permite aparte quando restam menos de 2 minutos. Como o nobre Vereador Antonio Donato é o próximo a falar,

E o Vereador Antonio Donato é o próximo a falar, Senador, se V.Exa. assim permitir que este assim conduza essa questão, o Vereador Antonio Donato não tenho dúvidas que, deliberadamente, concederá o aparte a V.Exa.

Então vou restituir o tempo de 1 minuto à Vereadora Adriana Ramalho.

O SR. EDUARDO MATARAZZO SUPLICY (PT) – Posso só fazer uma única pergunta?

O SR. PRESIDENTE (Eduardo Tuma – PSDB) – Evidente, Senador.

O SR. EDUARDO MATARAZZO SUPLICY (PT) – Se a Vereadora Adriana Ramalho pode nos explicar como funciona o programa Redenção. O De Braços Abertos eu conheço muito bem. Mas até hoje não vi qualquer pessoa, quem sabe V.Exa., como Líder do Governo, possa explicar como funciona o programa Redenção.

A SRA. ADRIANA RAMALHO (PSDB) – Nobre Vereador Eduardo Matarazzo Suplicy, o programa Redenção é um programa que vai realmente ampliar o atendimento a essas pessoas que são usuários de drogas. É pensar nele: num curso profissionalizante, a reinserção no mercado de trabalho, tratar esse usuário como se deve, pois ele é um dependente químico, é sim dar a ele a oportunidade do tratamento. E que, infelizmente, o programa De Braços Abertos não ofertava isso.

O SR. EDUARDO MATARAZZO SUPLICY (PT) – Ofertava.

A SRA. ADRIANA RAMALHO (PSDB) – Não ofertava.

O SR. EDUARDO MATARAZZO SUPLICY (PT) – Ofertava, eu sou testemunha.

A SRA. ADRIANA RAMALHO (PSDB) – Apenas estendia a ele, apenas receber esse valor e ele ter uma morada. E o programa Redenção não oferta somente isso.

O SR. EDUARDO MATARAZZO SUPLICY (PT) – Trinta horas semanais.

A SRA. ADRIANA RAMALHO (PSDB) – Porque esse dinheiro do qual ele recebia no final do dia servia para ele usar drogas durante a noite. E isso não é tratar um dependente químico, é você dar mais margem a ele.

Portanto, todos os dependentes químicos precisam, sim, de uma atenção com amor e não apenas tratados como coitados. Obrigada, Sr. Presidente.

O SR. EDUARDO MATARAZZO SUPLICY (PT) – Só gostaria que V.Exa. estudasse os estudos a respeito do programa De Abraços Abertos. E eu vou lhe encaminhar.

A SRA. ADRIANA RAMALHO (PSDB) – Sim, nobre Vereador.

O SR. PRESIDENTE (Eduardo Tuma – PSDB) – Obrigado.

A SRA. ADRIANA RAMALHO (PSDB) – Sim, nobre Presidente, nós estamos inclusive, com João Doria. E ele, com todo seu conhecimento, e além do seu corpo técnico, tem, sim, nos respaldado com conteúdo e um programa que vai dar certo. Que já está dando certo. Essa é a diferença.

 

Assista ao vídeo do discurso na CMSP.